segunda-feira, 16 de março de 2015

A mudança começou.

Ontem, quando chegou a casa, vinha com vontade de tréguas.
Recusei.

Ela pegou no carro, sem dizer nada e saiu de casa. As miúdas ficaram comigo e fomos passear à barragem, ao parque, enfim, fui compensar o tempo que não tive oportunidade de estar com elas o fds.

Ela voltou a casa. Nenhuma troca de palavras.

Foi novamente para a cama depois de adormecer a mais nova, eu desci depois de adormecer a mais velha.
Subi, e perguntei o que ficava resolvido no tempo que ela pediu há quase 2 semanas.

- tentei dar-te um abraço, sai de casa e percebi que afinal estamos mesmo na meta.
Despejou coisas sobre mim durante 20m, em que não consegui responder por falta de argumentação.
Entre as quais: ter faltado festa de "finalistas" do infantário da mais velha; ter saído de casa com uma telha quando ela estava grávida de 8 meses da mais nova, das coisas desproporcionais partilhadas nas funções de casa de um e de outro, de como eu mudei nos últimos tempos, que já não era a mesma pessoa que conheceu há 15 anos e ficou encantada por tudo o que tinha sido. Que eu não era a pessoa que ela se apaixonou, etc, etc...e que das hipóteses que tinha questionado à tarde, perante a recusa do abraço que me tentou dar 
« Sim chegámos à meta, aos poucos vamos fazendo as mudanças, tentado que as crianças fiquem bem.»
Questionei se estava convicta do que estava a dizer.
Confirmou que sim, e que não havia retorno das palavras.
Que a minha infância não podia justificar todos os meu actos, que sempre me deu apoio mental para ultrapassar tudo. E quando falei no "Nós" no "tu" e no "eu" ela questionou onde está o espaço do meu "eu" quando vais sozinho para a tua terra todos os fds que queres e bem te apetece.



Percebi naquele momento que estive a falhar com a mulher que sentia amar, que estava perante uma mulher espectacular e que estava a desperdiçar a mulher da minha vida. Que vazios que tenho preencher na rua, são coisas de momento, que acabam por corroer-me a mim próprio.
Consciente e percebendo que ela estava mesmo a falar a sério, comecei a chorar, perante a consciência de ter sido eu mesmo o culpado por estar a destruir esta família e que estava a desperdiçar uma vida que a maior parte das pessoas gostariam de ter. Estava a perder a família que escolhi, que construímos juntos.

Chorei que nem uma criança, dei-lhe um abraço e pedi para não me deixar olhos nos olhos.
Disse que a minha mudança não podia ser apenas negativa. O diamante que ela diz ter encontrado ainda ali estava a seu lado e tinha intenções de lutar para reconquistar-lhe.
 Ela disse que não bastam as palavras, tenho de converter em actos e deixar de ter a postura do quero, posso e faço - Concordei e disse que ela tinha razão.
Que sempre me conheceu cuidadoso com a imagem, mas que nos últimos tempos, estava apenas centrado no exterior e que o meu interior estava a ficar podre.

No entanto eu tinha a certeza que o sentimento que ela tinha por mim, não tinha com toda a certeza desaparecido perante a questão de estarmos na meta ou numa etapa.
Percebi que tenho de regar.

E aquilo que ela via em mim era apenas a ponta do icebergue - felizmente tinha a sorte de ela não conhecer tudo o resto, o lado mais oculto e grave - seria mesmo o fim de tudo.



Uma conversa de 2 horas em que senti o chão pela primeira vez a sair.
Estava com a noção de ser o culpado daquele momento.

"vou mudar, dou-te a minha palavra pelo amor que tenho às minhas filhas e a ti"

Sinto que uma história bonita de amor como a nossa - não pode cair em 2 semanas.

Amo-te !! Tenho a certeza.