sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Gravitar em mim.

A rotina consome, desgasta, limita e faz pensar.

A nível laboral diria que não estou nada mal, tal como a nível familiar dizem a maior parte das pessoas. 
Mas a instabilidade emocional tem algo que me consome. Uma rotina que limita. Sou carente da liberdade total ! Sim, a vida não é o que nós queremos, é o que nós temos pela frente para conviver. No entanto, não quero ser um mero actor a representar papéis com o guião totalmente restrito e limitado. Olho para trás e vejo dias completamente iguais nos últimos anos.

A nível profissional, já não tenho o entusiasmo ao entrar para este local e faltam novos desafios. Na anterior experiência profissional, quando entrei neste ciclo optei por sair, mas a conjuntura hoje é diferente - totalmente diferente. Existem as filhas e não posso tomar decisões de apanhar um avião para o Brasil e ter uma nova experiência de vida.
Mas...mas...e mais mas... também em casa, começo a sentir algo diferente, repercutindo-se na forma do olhar, daquele beijo que já é dado porque faz parte do cumprimento, da relação sexual que já começa a ter tónicos de obrigatória e com um "porque sim" vazio.
Coragem para mudar tudo ? Tenho. E aqui, sinto o meu egoísmo puro a gravitar em mim. Hoje ao pequeno almoço olhava para as minhas filhas e dizia para mim. "Se eu for, vou voltar para ver o quanto estão crescidas." 

"O que se passa comigo ?" O título de um livro que anda lá por casa e tenho de voltar a ler. Já não me lembro de quando o li a última vez, e se obtive alguma resposta. Já deve ter mais de 15-20 anos. E eu mudei e tudo mudou à minha volta nos últimos 15-20 anos.

20 comentários:

  1. Eu sou complicado ! :)

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    1. E não somos todos?...

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    2. Mas como é a mim que me conheço melhor...falo de mim. :P

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  2. Anónimo13:27

    Queria ter as palavras certas para te dizer, mas não tenho :(
    Só posso escrever com base na minha própria experiência, dizendo que também eu já me saturei e desmotivei com a situação profissional e pessoal em que estava. No momento em que passava por isso não estava feliz, mas fiquei ainda pior quando perdi o que tinha :(
    É caso para dizer que a frase "só damos valor quando perdemos" tem a sua razão de ser.
    Há muitas semanas disseste que te fazia falta marcar consulta na psicóloga. Ainda não foste? Marca. Talvez te faça bem falar com ela e te ajude.
    Beijinhos
    Joana

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    1. Percebi que a terapia com a psicóloga é mero placebo pelo desabafo da ventilação.
      Como a psicóloga é próxima, prefiro desabafar em outras bandas mais fidedignas de não haver fugas.

      A frase é conhecida "só damos valor quando perdemos" mas se não tivermos a coragem da mudança, ficamos sentados tipo numa cadeira de baloiço. Ficas a movimentar-te mas não sais do mesmo sítio.

      Hoje, estou assim e amanhã é outro dia...
      Bjinhos

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    2. Anónimo18:29

      Se é próxima e existe o perigo de "fuga de informação", compreendo que não te sintas à vontade para desabafar tudo.
      Faças o que fizeres, assegura-te de nunca perderes o crescimento das tuas filhas... elas são únicas e parte de ti.

      Li há pouco a sinopse desse livro e parece-me interessante, podendo até ser-te útil e ajudar-te nesta altura. Relê-o, pois o que já viveste e cresceste nestes 15 ou 20 anos, far-te-ão assimilar de uma outra forma.

      Amanhã será outro dia, sim :)

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    3. Ela já sabe tudo... :)

      Hoje noite já tenho noitada a ler o livro.

      Quanto ao crescimento delas, acho que o leite estava estragado do pequeno almoço. Fez aquele efeito da manhã. Estar com elas aqui ao meu lado agora, faz-me pensar que sou tão estúpido...e muitas outras coisas depreciativas para mim.
      Obrigado !!

      Bjinhos.

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    4. Anónimo15:04

      Dizes que és tão estúpido. Não concordo, porque quero acreditar que não serás capaz de fazer o que transmites nos desabafos.
      Contudo, pensas coisas de forma irreflectida. Como te disse há dias, tento puxar-te para Terra, pois acho que às vezes não percebes as consequências de determinadas atitudes e riscos que tens vontade de correr.
      Já comentei contigo que a minha mãe disse-me coisas que me magoaram na altura e ficaram gravadas até hoje. Tal como tu, também o fez de forma irreflectida. Ela diz coisas pela boca fora sem perceber que magoa; tu pensas que queres liberdade sem te aperceberes das consequências para ti e para elas. Para além do sofrimento e mágoa, certamente nunca te perdoariam.
      Agarra nesses momentos em que estás com elas, nos sorrisos, carinhos, gargalhadas, em todo o amor que tens por elas, e guarda-os e grava-os o mais profundo que conseguires. E nos momentos de irreflexão, socorre-te dessas memórias, desse amor... Sem o qual, tenho a certeza, que não conseguirás viver.
      Esta tua dualidade faz transparecer as características que mencionei num comentário noutro post e que tu confirmaste: liberdade e sensibilidade.
      Referes no post que a instabilidade emocional tem algo que te consome. Mas já pensaste em maior instabilidade emocional do que perderes o que tens, a presença, o amor e o crescimento delas? A tua sensibilidade nunca permitiria que vivesses bem com uma decisão dessas. Foi um devaneio, um desabafo, não te recrimino por isso. Só te quis fazer ver que, ainda que a tua vida não seja perfeita, tens tantas coisas boas que outras pessoas não têm. A liberdade é porreira na adolescência, nos vintes, eventualmente nos trintas. Mas se quiseres a liberdade agora, corres o risco que essa seja para sempre. E imagina-te com 60 ou 70 anos, cheio de liberdade, mas sem nada mais? Não ias aguentar. Sabes porquê? Por causa da tua sensibilidade, pela enorme instabilidade emocional e ainda maior vazio que isso criaria.
      Já que não consigo abrir-te a cabeça, tento assim :P
      Bjinhos e bom fim‑de‑semana!

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    5. Como é bom ter alguém de quem receber estas palavras...
      Fazem pensar. Sentir que no mero acaso encontramos pessoas que nos fazem sentir bem.

      Sabes interpretar bem, consegues transmitir ainda melhor essa interpretação, e, consequentemente no teu altruísmo, ainda sou contemplado com palavras em que sinto o teu braço esticado a dar a mão.

      Resta olhar para os teus olhos, abraçar-te, colocar a cabeça no teu ombro e sentir esse aconchego que me dás sussurrando ao teu ouvido “obrigado !”.
      (isto ao vivo o saco lacrimal iria abrir) :))

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    6. Anónimo00:48

      O abraço chegou cá e o obrigado também :) Mas o maior agradecimento será ver que nunca tomarás nenhuma decisão absurda, daquelas que te trarão incomparavelmente muito mais dissabores do que coisas positivas.
      Se te deixo estas palavras é porque acredito que és boa pessoa e custa-me ver-te nesses teus conflitos interiores. Parece que estás no meio do nevoeiro, vês tudo turvo e precisas que te abram os olhos.
      Dizes que a rotina consome, desgasta, limita. É verdade. Mas também te cabe a ti fazer alguma coisa para mudar a rotina - atenção que não me refiro às "fugas para a frente", daquelas que pesam na consciência. Agarra nas tuas miúdas (patroa e herdeiras) e experimentem a fazer um programa diferente, vão a sítios fora do habitual, apanhem outros ares... Faz bem e ajuda a recarregar energias.
      Espero que o livro que tinhas planeado ler no fim‑de‑semana tenha ajudado ;)

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    7. Boas,
      O livro ficou no mesmo sítio. O tempo foi dedicado à mulherada da casa e bricolage. :)
      O tempo da noite...às gravações do futebol e a dormir.
      És boa malha e boa observadora ! :P
      Bjinhos !

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  3. Precisas de crescer um bocadinho e assumires a responsabilidade das escolhas que fizeste. Tens duas filhas, que nasceram porque tu quiseste, certo?! Logo quem decide ser pai, ou mãe assume a responsabilidade de abdicar voluntáriamente da tal liberdade. Até te podes libertar fisicamente, a tua mulher não te pôs argolas nos pés, mas emocionalmente serás sempre cativo do amor que sentes pelas tuas filhas e pela responsabilidade que tens de fazer diferente do que fizeram contigo.
    Precisas de mais coragem para assumires aquilo que tens, do que para saires porta fora e deixares 4 vidas destruidas para trás (a tua e a delas).
    Se fores assumes o risco de elas poderem não querer que voltes e de não quererem saber como TU estás daqui a 20 anos.

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    1. ... (silêncio cerca de 5/10m)

      Sim. Eventualmente são vazios que me impedem o crescimento que apontas.
      Talvez a maturidade que necessita de ser preenchida e tarda em chegar. Gosto do mar, por isso ter o gosto de navegar num barco sem motor, com remos em que o mar é picado. Quando está calmo, consigo remar ao destino e tenho a força de um motor robusto, mas também tenho os momentos em que gosto de ficar deitado com os remos de lado e deixo-me ir na corrente e quero ter prazer de ir na corrente com apatia.

      Uma vez li esta frase:
      "A tristeza é um vício e eu viciei-me nela"
      De vez em quando colo isto ao corpo.

      O cenário que coloquei foi forte, talvez um mero desabado à tal rotina que me consome.
      A noite foi pesada. Talvez o texto fosse mero efeito do que a noite proporcionou. Adjectivados por fantasmas nocturnos.
      Mas, as tuas palavras são um belo taco de basebol no lombo. Gostei. Senti uma dor daquelas que obrigam a olhar para o espelho e ver o que vejo reflectido nos meus olhos. :))

      Bem-haja Suri !

      Bjinhos e quero um abraço teu apertado, daqueles que tu sabes dar.

      As pequenas estão aqui ao meu lado.
      O devaneio da manhã já foi embora...

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  4. essas reflexões são necessárias e fazem-nos bem, para termos a certeza que não errámos no caminho escolhido. o arrependimento também faz parte do percurso e serve para emendar erros, caso assim lhes queiramos chamar; àqueles pequenos nadas que se instalam para chatear.

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    1. Sim, mas às vezes também já começo a pensar que as paragens para reflectir demasiado, podem não ser benéficas. Fazem emergir ideias que em nada nos ajudam.
      A frase do «pequenos nadas que se instalam para chatear» está sublime !
      Bjinhos

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  5. Modéstia à parte...é verdade...sou tão boa a vergastar, como o abraçar. Mas o facto de dizer o que penso apenas significa que gosto de ti....muito....se não gostasses não me dava a esse trabalho.
    Fiquei aliviada agora...temia muito que fosses ficar aborrecido comigo...o que acontece com frequencia quando não me conhecem, o que significa que mesmo "sem nos conhecermos" "já nos conhecemos bem" e isso é bom. Fica com Deus BOcas:) jinhoooooooosssssss (se me voltas a chamar beata não sei que te faço!!!!)

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    1. Não te davas a esse trabalho ?!?!?! E eu exigia !!
      Aborrecido com alguém que nos ajuda ?!? Nem sempre estou a dormir, e "sóbrio" até consigo ter umas gramas de discernimento. :))

      Ontem foi uma noite azeda...Aquele fruto é pior que o limão. :(((

      Muahhhh Suri !
      Jinhooosssssssss

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  6. Pode ser que um dia venhas conhecer o mar de Gaia gelado, picado e pouco meigo...nesse dia teria um grande gosto em apertar-te e aconchegar-te entre os meus braços e AI DE TI que faças leituras maliciosas do que acabei de dizer!!!!!

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    1. Sabes que sou/fui um grande turista nacional para visitar as igrejas todas do futebol onde um "clube de bairro" joga, quer dizer, de bairro não, porque o Presidente de Cabo Verde diz que é o clube dele em Portugal...

      Gaia só fui à margem do rio ao atravessar num dia a ponte a pé.
      Leitura maliciosa ?!? Ohhh Suri...isso é reflexo no espelho do teu pensamento a fazer a eventual leitura...agora não sei o nome que os Psis. dão a isso. lol
      :)))

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