domingo, 26 de outubro de 2014

Memória eterna.

Para lá do portão.
Vejo alguém a olhar ao longe com intenção de comunicar. Ando uns 20m e fico surpreendido.
O nosso afilhado não formal (porque o padre exigia que eu tivesse crisma).
Conheci ele com 4 anos. O mais novo de meia dúzia de irmãos/as.

- Que se passa ? estás sozinho e como vieste aqui parar maluco ?
De bicicleta ? estás doido ? Abraço e começa a chorar.

Relatou situações a chorar do ambiente lá em casa. Hoje, tem 14 anos e não vinha a nossa casa há mais de 1 ano.
Opahhh nós não temos dito nada, porque tu estás um adolescente e sabemos que é uma seca para ti andar conosco agora. Mas, sabes bem que tens sempre a porta aberta para tudo e o telefone ligado.

Foi o nosso 1º filho. Nunca vamos esquecer; levar ele ao hipermercado m que parecia um bicho acabado de sair da selva a olhar tudo em 360º. Levar ele pela 1ª vez à praia, a um estádio de futebol, zoo, ao oceanário, fazer ele associado do meu clube tal como as minhas filhas são (: P ) etc...etc...etc...
Proporcionámos conhecer um novo mundo, e como retribuição aquele sorriso puro de alegria ao conhecer coisas que talvez ainda hoje não tivesse tido a oportunidade de conhecer.
Era frequência assídua aos fins-de-semana em nossa casa e nas férias.
Nunca se colocou o cenário de o adoptar, porque a mãe apesar das normais dificuldades, sempre teve a capacidade de colocar-lhes comida na mesa com a ajuda da comunidade onde vive.
Com o tempo - o percurso normal de uma criança que cresceu. Na nossa casa há limites para jogar computador, ver tv, e todas as outras regras que eventualmente não tinha na casa dele.
Entretanto, nasceram duas crianças também cá em casa.

Fica tranquilo, nós não contamos nada à tua mãe, mas tens de ir para casa, ela já deve estar preocupada por ainda não estares em casa a esta hora sem teres dito nada.
A bola fica do teu lado, vais ter de ser tu a pedir à tua mãe para nos ligar e vires cá passar um FDS, tu agora já deves querer é namorar e nós não queremos atrapalhar a tua agenda. ehehehe

Foi bom para todos voltar a rever-nos.
Ficou a garantia que a porta continua sempre aberta. Sermos os padrinhos por afecto, vai muito para além do que igreja coloca nos ditames da igreja católica.

Nota: A nossa relação com a mãe do miúdo, sempre foi a melhor e elogiamos sempre o mérito necessário para conseguir criar tantas crianças sozinha.

12 comentários:

  1. Anónimo02:07

    É impossível ficar indiferente a situações dessas.
    De louvar o que vocês lhe proporcionaram e o carinho.

    Parece-me que apesar da idade não se importará que lhe telefonem. Há quem na adolescência se torne "parvo", mas esse miúdo parece meigo... Com certeza gostará de um telefonema de vez em quando. É uma forma de saber que o vosso carinho se mantém :)

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    1. No relato que ele fazia, achei pertinente salientar-lhe uma situação que ocorreu quando ele era pequeno num parque para crianças.
      Numa esplanada, ao longe, observamos ele a dar ajuda a uma outra criança, ainda mais nova para subir aos escorregas e aos outros equipamentos de motricidade naquele parque. Naquele momento ficámos conquistados por ele para sempre ! :)

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  2. Essa coisa dos padrinhos terem de ter isto e aquilo... bah! O que conta é o afecto. Sempre!

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    1. Claro ! relações de amizade sem afecto não fazem sentido. Ou existem ou não existem. :)

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  3. Que historia ternurenta...
    Deve ser reconfortante saber que vocês estão lá para o ajudar e que a vossa porta esta sempre aberta. Grande Bocagiano! ;)))

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    1. É uma história bonita que temos com aquele miúdo. Ele cresceu e nós também. :)

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  4. É por essas e outras que oferecer um ramo aos padrinhos na páscoa é no mínimo ridículo...ainda este fim-de-semana falei sobre isso com a mais velha...se soubesse o que sei hoje jamais tinha escolhido aquela "madrinha"...que passa um ano inteiro sem lhe fazer um telefonema, sem se preocupar se ela está bem se está mal, sem a convidar para almoçar, para conversar...nada...ser padrinho...é estar lá mesmo que sja um ano depois de portas abertas...para o que o afilhado prrecisar, nem que seja um abraço...jinhooooooosssssss

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    1. As minhas só são batizadas (se o quiserem ou quando elas pedirem).

      Única religião que imponho é serem associadas do meu clube. ahahahahaha

      Bjinhoosossss

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  5. Eu aprendo com os erros: A primeira foi batizada para fazer vontades...a segunda já nem pensar, quando for crescida que decida. Preciso de falar com um padre saber como posso exonerar os padrinhos do cargo por incomprimento das cláusulas do contrato!!!!!

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    1. Com Direito Canónico ?!?!?!? Já viste algumém ser punido por incumprimento de alguma coisa na igreja ? lol
      Ai Suri Suri... :P

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  6. Fiquei angustiada... não sei. O limite a que a criança chegou para pegar na bicicleta e fugir... procurar uma lembrança de afecto, de entendimento, consolo e paz - nos padrinhos. A verdade é que eles "crescem" e parece que já não nos querem. Mas ainda assim, parte deles ainda é inocente e carente, frágil, como se fossem ainda as crianças de antes. Mas depois passa-lhes e querem é fazer o que lhes dá na gana e viver a vida sem interferências :D :D

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    1. Ficámos perturbados, e ao mesmo tempo contentes pelo reconhecimento da criança pelo afecto que ela sabe ainda persistir em nós para com ele.
      As crianças não pedem para vir ao mundo, e depois estão sujeitas às vicissitudes da vida...

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